Os mais recentes números divulgados pelo Ministério do Turismo, referentes ao fluxo total de passageiros em rotas internacionais nos principais aeroportos do Nordeste, exigem uma reflexão desapaixonada sobre as razões que levaram o Ceará a perder — ao que tudo indica, definitivamente — o protagonismo regional.
Enquanto a Bahia registrou um fluxo de 138 mil passageiros e Pernambuco alcançou 117 mil, o Ceará permaneceu consolidado na terceira e última posição entre os grandes do Nordeste, com 97 mil passageiros movimentados no mesmo período. Cabe destacar que, historicamente, o estado só se comparava a esses outros dois portões de entrada da região. Para agravar o cenário, os dados do MTur apontam crescimentos significativos em outros destinos: Natal teve um incremento de 125%, chegando a cerca de 68 mil passageiros; Alagoas e Paraíba também alcançaram marcas relevantes, com altas de 88% e 48%, respectivamente.
No caso da Paraíba, vale salientar que, por não possuir voos internacionais regulares de grande porte ao longo de todo o ano, uma parcela significativa dos estrangeiros que visitam o estado desembarca primeiro em grandes hubs (como Recife, São Paulo ou Rio de Janeiro) e depois realiza uma conexão doméstica. Isso faz com que o registro oficial de entrada fique retido no primeiro aeroporto de toque, subestimando o real fluxo paraibano.
A falta de zelo com a informação técnica gera uma espécie de “oba-oba” entre torcedores apaixonados por esta ou aquela gestão. Turistas internacionais são, por definição, aqueles que residem no exterior e desembarcam por aqui para conhecer ou revisitar nossos atrativos, participar de eventos ou visitar parentes e amigos. Sendo assim, sobre os totais divulgados, é necessário aplicar um fator desagregador para encontrar o saldo líquido de turistas que de fato circularam pelo estado, separando-os dos cearenses que estão apenas viajando de ida e volta. Só assim conheceremos a real receita turística originada desse fluxo internacional.
O resultado que o Ceará está a comemorar é a lanterna na tabela da “Copa Nordeste de Turismo”? Pode isso, Arnaldo?



Respostas de 3
As narrativas são todas para anunciar que tudo melhorou neste último governo. E nós somos tratados e definidos como negacionistas.
Excelente análise, Allan! Uma reflexão lúcida, fundamentada em dados e que vai além dos discursos e do entusiasmo político. O turismo exige planejamento, estratégia e resultados concretos, não apenas números para comemorar. Parabéns pela clareza e pela coragem de trazer o debate para o campo técnico!
Como diz o Boris Casoy. ISSO É UMA VERGONHA.