Neste mesmo sábado de 2022, os petistas estavam a cantar o refrão de “Anunciação”, de Alceu Valença: “Tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais / que tu virias numa manhã de domingo / eu te anuncio nos sinos das catedrais”. Hoje estão em transe, em crise existencial, incrédulos e tomados pelo medo de serem arrancados do serviço público ou não conseguirem mais acesso ao dinheiro público federal.
Assistiram atônitos a mais um debate onde toda a fragilidade do seu líder supremo foi exposta diante da meta de “virar” e ganhar as eleições após os embates da BAND e da TV Globo. Os debates foram o último balde de água fria jogado sobre o fogo da mudança que o povo já escolheu no primeiro turno e promete ratificar no segundo.
Lula fadigou e incorporou a imagem daquele remédio que já extrapolou seu prazo de validade e que, se tomado mesmo assim, pode não ajudar em nada no tratamento e ainda trazer prejuízos ao organismo. Lula não se deixou ser encurralado deliberadamente, mas o foi em face da sua incapacidade comunicativa de estabelecer o elo de confiança com o eleitor indeciso. Quem estava indeciso aprofundou sua indecisão quanto a ser Lula quem encarna seus anseios de um Brasil melhor.
Amanhã à noite tudo estará resolvido e uma geração inteira de políticos sem mandato e simpatizantes de esquerda estará se despedindo dos seus gordos cargos de livre provimento nas estruturas do Governo Federal. Isso é apavorante; afinal, o “Minha Boquinha, Minha Vida” (MBMV) é o único programa de Lula que interessa à petezada não concursada. Até mesmo os concursados, que nada deveriam dever a Lula, estão ansiosos com o receio de que a volta da direita signifique a retirada de benefícios e, em muitos casos, de privilégios.
Na hierarquia do medo da volta da direita, quem ocupa o topo são os habitantes do serviço público, seguidos de sindicalistas e, por último, o povo muito pobre, alheio, influenciável e beneficiário de programas sociais. Até estes últimos estão a perder o medo de o “Painho Lula” desaparecer. Já sabem que quem chegar não vai mexer nesse vespeiro, afinal, daqui a dois anos tem nova eleição e com esse voto, comprado com dinheiro do Tesouro Nacional, não se brinca.
O luto é tão insano que pode ser encontrado aos montes junto a categorias abduzidas por Lula e atingidas pelos próprios mísseis da corrupção lançados pelo líder supremo contra seu próprio povo. O Aiatolá Lula sangrou os salários e as aposentadorias dos bancários públicos e de seus fundos de pensão, dos quais o PT desviou bilhões para o bolso da quadrilha vermelha descoberta pela Operação Greenfield do Ministério Público.
Mesmo pagando em seus contracheques, todos os meses, rubricas de equacionamento dos rombos produzidos por seus algozes, existe uma maioria de masoquistas que amanhã estará votando no 13, em um comportamento análogo ao de quem sofre da Síndrome de Estocolmo.
“Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”, diz o ditado popular. Como enquadrar a quase finada Era Lula entre o Bem e o Mal que ela fez? A resposta é muito fácil: examinando os indicadores econômicos e sociais, foi uma tragédia que marcará gerações; olhando os privilégios de alguns poucos do serviço público, foi uma glória que envergonhará essa mesma geração.
Cabe, por último, refletir sobre o paradoxo abordado pelo economista e filósofo Eduardo Giannetti em seu livro “Vícios Privados, Benefícios Públicos? A Ética na Riqueza das Nações”. Nela se tenta traduzir o fundamento do capitalismo moderno: a ideia de que o egoísmo individual e a busca pelo interesse próprio podem, ironicamente, gerar riqueza e prosperidade para toda a sociedade.
O Brasil é o exemplo mundial de que essa postura na política deu profundamente errado, e continuamos, como nunca, sendo um oceano de miséria com poucas ilhas de prosperidade. Hora de virar a página e começar a escrever o próximo capítulo do livro chamado Brasil.



Uma resposta
Brilhante análise, Allan!
O “Painho Aiatolá” e a enxurrada de escândalos de corrupção desenham o retrato fiel de um projeto de poder carcomido pelo tempo.
Assusta ver que ainda existem masoquistas do 13 dispostos a aplaudir o próprio retrocesso.
O Brasil está exausto de discursos requentados e promessas mofadas de palanque.
O mundo mudou, o país mudou, mas Lula continua obsoleto, trancado no passado.
Para encerrar esse ciclo melancólico, a trilha sonora ideal vem aí do Nordeste: “Adeus Até Nunca Mais”, do Aviões do Forró.
Já vai tarde, Lula! O Brasil merece virar essa página de uma vez por todas, graças a Deus sem você, e seguir em frente.