TURISMO: VENHAM PARA O NORDESTE!

TURISMO: VENHAM PARA O NORDESTE!

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Todos sabem que os principais mercados emissores de turistas para o Nordeste são o Sudeste do Brasil, seguido pelo Centro-Oeste e pelo Sul. São Paulo, com seus mais de 40 milhões de habitantes, lidera todos os anos o envio de turistas para as praias dos nove estados da região. São famílias que procuram sol, praia, bons hotéis, lazer e diversão a preços atrativos, considerando que viajar ao exterior com a família requer um esforço financeiro, às vezes, três ou quatro vezes maior, em face da cotação do dólar e do euro.

A cadeia produtiva do turismo, a mais extensa da economia regional, ocupa milhões de pessoas. Muitas delas não conseguem sequer estabelecer uma relação direta entre o seu trabalho e a economia do turismo — como, por exemplo, o jardineiro de uma casa de praia no Ceará alugada para uma família de Goiânia, um motorista de aplicativo em Salvador que transporta uma família carioca para comer uma moqueca, ou o passista pernambucano que dança o frevo no Carnaval.

Qualquer declínio no fluxo de turistas nacionais nos destinos nordestinos representa, imediatamente, a destruição de postos de trabalho e, consequentemente, da cidadania, aumentando a vulnerabilidade social e o sofrimento.

Causam preocupação, portanto, as campanhas que ganham as redes sociais pregando a punição ao Nordeste por majoritária e invariavelmente votar no Lula e no PT. Deixar de comprar pacotes turísticos para a região seria o “troco” dado por milhões de turistas de outras regiões ao Nordeste petista.

Caso esse movimento de trocar o Nordeste por outras regiões do Brasil para as férias se confirme relevante, os impactos serão gigantescos sobre a atividade que mais emprega na região. O golpe alcançaria em cheio o setor de comércio e serviços também, devido à menor circulação de brasileiros.

Perto de 95%, em média, dos turistas que circulam no Nordeste são brasileiros, e cerca de apenas 5% vêm do exterior. Qualquer redução no fluxo turístico doméstico teria efeitos severos sobre a economia de toda a região, em face da renda média dos turistas que nos visitam e das receitas que deixam nos elos dessa cadeia econômica. Seria improvável que o fluxo turístico interno, entre os estados da própria região, fosse capaz de atenuar os efeitos de qualquer redução do turismo vindo das outras regiões.

Quanto ao mérito dessa retaliação, basta uma olhada no mapa eleitoral para constatar que a reeleição de Lula teve uma contribuição decisiva de estados de outras regiões. O Sudeste deu quase 5 milhões de votos a mais a Lula no segundo turno em relação ao primeiro, enquanto a região Sul deu quase 1 milhão de votos a mais. Sendo assim, quem mudou de posição foi a média dos eleitores que vivem nessas regiões, e não o Nordeste, que ampliou sua votação em menos de 3 milhões. Até em Goiás, Lula cresceu sua votação em impressionantes 33%.

Portanto, não obstante decepções aqui e ali, somos irmãos brasileiros e precisamos, aqui no Nordeste, de vocês conosco, passeando e curtindo nossas praias e nossa cultura. A ausência de vocês será sentida também no nosso coração. A eleição acabou, a política passa e a vida segue. Não temos outro país para ir; temos que superar essas divisões e tocar nossas vidas. O cenário político se acomodou de forma complexa e plural, e o foco agora deve ser o desenvolvimento do país.

Venham nos visitar, nós amamos vocês!

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