Os portugueses fizeram um belo trabalho no Brasil, sejamos honestos. Eles nos descobriram não uma, mas duas vezes. A primeira foi em 22 de abril de 1500 — portanto, há 526 anos —, quando chegaram liderados pelo navegador Pedro Álvares Cabral a bordo de naus e caravelas. Em 9 de março, saíram de Lisboa, Tejo abaixo, atravessaram o Atlântico, desembarcaram no Nordeste e começaram a escrever a história que todos conhecemos.
A segunda foi em 30 de março de 1998, quando um Airbus A310 pousou em Fortaleza com 198 passageiros, também vindo de Lisboa. De novo, Tejo abaixo e cruzando o Atlântico. Tudo igualzinho, com uma sutil diferença no tipo de veículo utilizado.
Desde então, a TAP vem reescrevendo a história do Nordeste e a do próprio Brasil com suas incontáveis frequências diárias, ligando capitais brasileiras a Lisboa e, de lá, para qualquer parte do mundo. A TAP Air Portugal sempre foi a companhia aérea do Nordeste do Brasil, uma região que costumava ser ignorada pelas aéreas brasileiras como um mercado turístico internacional promissor. Desde as saudosas Varig, Vasp e Transbrasil, o Nordeste era um mero coadjuvante em suas rotas internacionais, sempre concentradas no eixo São Paulo-Rio de Janeiro.
Coube à TAP reconhecer e prestigiar a região mais próxima da Europa, injetando bilhões de euros trazidos por turistas e investidores que alteraram por completo, nesses quase 30 anos, a fisionomia da economia regional. Cabe à TAP o pódio de maior agente de desenvolvimento econômico e social do Nordeste brasileiro.
Vendo o enorme feito da companhia e adotando uma postura de “segue o líder”, outras empresas europeias passaram a implantar voos para o Nordeste, buscando navegar nas águas desse mercado promissor onde vivem 57 milhões de brasileiros. Air France, Iberia, Air Europa, TACV e as retardatárias nacionais Latam, Azul e Gol passaram a voar na esteira da gigante portuguesa. Esta, com suas dezenas de frequências semanais espalhadas pelas capitais nordestinas, detém sozinha a liderança absoluta dos serviços aéreos internacionais na região.
Agora, o mercado acompanha o anúncio de que o Grupo Lufthansa venceu a disputa para adquirir quase metade das ações da TAP, unindo a força ibérica à robustez do grupo alemão. Juntas, as empresas prometem sacudir ainda mais as rotas para o Nordeste e para o resto do Brasil.
Para nós, nordestinos comprometidos com nossa terra e com a qualidade de vida do nosso povo, essa movimentação ocorrida do outro lado do Atlântico terá repercussão direta na dinâmica do nosso ambiente de negócios. Afinal, o investimento direto estrangeiro que move o turismo, o mercado imobiliário, a geração de energia e o nosso agronegócio chega, majoritariamente, pelas asas que conectam nossa região à Europa.
A propósito, quem deve celebrar esse novo capítulo é a Fraport Brasil, gestora do Aeroporto de Fortaleza (Pinto Martins). A concessionária alemã possui uma interdependência vital com a Lufthansa, grupo que responde pela maior parte da movimentação de passageiros em seu principal hub, em Frankfurt.



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Boa