As urnas cearenses não falaram, gritaram. Desenharam com nitidez o mapa da mina que a galera da direita tanto procura. A agulha da bússola das urnas apontou sem titubear para o norte que levará ao caminho dos sonhos dessa moçada. As urnas cearenses e as urnas brasileiras abriram o caminho para a derrota do lulopetismo como motor eleitoral no Ceará, em mais dois anos e em primeiro ato. Na realidade, Ciro perdeu e Elmano ganhou, segundo as urnas, mas a direita venceu e a esquerda perdeu, segundo a política.
Essas últimas eleições foram a crisma do mais novo fenômeno eleitoral cearense que deixou a esquerda de cabelo em pé. A avalanche de votos que elegeu o jovem e descolado André Fernandes e arrastou para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa seus pares do PL abriu as portas da esperança e credenciou esse cometa a disputar qualquer nova eleição majoritária, com chances reais de vitória. O tenro Andrezinho e seus jovens seguidores viraram recordistas de votos para deputado federal e estadual. O garoto-prodígio e seus quase setecentos mil votos abriram a boca do quociente eleitoral e elegeram vários parlamentares. Também conseguiu transferir, com a ajuda do Ciro e do Capitão Wagner, quase 1,8 milhão de votos para seu pai, Alcides Fernandes, até então um quase completo desconhecido do cenário eleitoral do Estado.
Com a iminente derrota de Lula no segundo turno e a chegada do Flávio Bolsonaro ao comando do Governo Federal, alinham-se os planetas que vão pulverizar a era petista não apenas no comando do Ceará, mas em todo o Nordeste. Sem Lula nas próximas urnas e com a força da direita turbinada no Congresso e no comando da máquina federal, será uma questão de tempo para as trincheiras petistas que sobreviveram, em alguns estados do Nordeste, serem tomadas. Ceará, Bahia e Piauí talvez sejam os últimos dos moicanos vermelhos. Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão e Alagoas já começaram a sair da zona de influência do lulopetismo. As declarações da governadora reeleita de Pernambuco afirmando sua neutralidade neste segundo turno são um tiro certeiro nas pretensões petistas de ampliar votos na região, revelando que grandes lideranças regionais que se elegeram sem o apoio de Lula vão, agora, dar o troco.
Sendo assim, resta claro que Ciro só tem um caminho para realizar seu sonho de vingar-se de seus traidores e de sua mais recente derrota, e esse sonho se chama André Fernandes, o novo Tasso das outroras urnas gordas da década de 80 e que elegia quem bem quisesse. Ciro e seu grupo foram vencidos por seu melhor aluno, Camilo, que, desde logo, aprendeu que quem manda nos votos das periferias e do sertão pobres, carentes e alheios é o painho Lula e não Ciro ou Cid. Se é assim, por que terceirizar esses votos para os irmãos? Faz sentido.


