GOL…CONTRA! “NOVES FORA, NADA”

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GOL…CONTRA! “NOVES FORA, NADA”

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O efeito prático do anúncio da GOL de remover os voos internacionais de Fortaleza para Orlando e Montevidéu de sua malha aérea é insignificante para o turismo cearense. Essas rotas nunca cumpriram o objetivo central de qualquer destino turístico: atrair visitantes americanos e uruguaios para conhecer o estado. Trata-se de voos predominantemente outgoing, ou seja, focados no fluxo de nordestinos que viajam para o exterior a partir do aeroporto da capital cearense, e não na captação de turistas estrangeiros para consumir e movimentar a economia local.

Essas rotas, na verdade, atuam como emissoras de divisas internacionais, gerando um impacto quase nulo na “conta Turismo” do balanço de pagamentos do país. Nessa contabilidade, os créditos representam as receitas geradas pelos gastos de estrangeiros no Brasil — o que funciona como uma “exportação de serviços”. Já os débitos registram as despesas de brasileiros no exterior (com passagens, hospedagem e consumo), operando como uma “importação de serviços”. Sendo assim, o impacto negativo ou prejuízo real para a economia do turismo cearense será praticamente igual a zero.

Voos internacionais são insumos vitais para potencializar os efeitos do turismo na qualidade de vida das comunidades receptoras. Contudo, cearenses que viajam a Orlando para gastar seus reais, convertidos em dólares, não geram esses benefícios locais. Nesse sentido, o verdadeiro lamento deve se restringir à descontinuação de voos incoming, responsáveis por trazer estrangeiros que de fato movimentam a economia e geram empregos no estado. Basta imaginar os desdobramentos sociais e o enorme prejuízo se houvesse um encerramento das operações de companhias como TAP Air Portugal, Air France ou Iberia, que conectam o Ceará a milhares de turistas europeus em busca de férias, lazer, esportes náuticos, negócios ou eventos.

Talvez o exemplo recente mais doloroso desses impactos sobre a nossa economia tenha sido a suspensão dos voos da cabo-verdiana TACV, rota que ligava Fortaleza ao país do goleiro-estrela Vozinha. Milhares de africanos que vinham semanalmente ao estado para importar calçados, têxteis e confecções made in Ceará, de repente, desapareceram do comércio de Fortaleza e migraram para o de Recife.

Sendo assim, no que diz respeito a essas duas rotas internacionais da GOL — negligenciadas pelo Governo do Estado, que falhou em realizar a indispensável promoção do Ceará na Flórida para atrair norte-americanos e em Montevidéu para captar uruguaios —, o resultado prático é o famoso “noves fora, nada”.

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