Turismo é apolítico e apartidário. Em tempo de eleições, é sempre bom lembrar que a atividade turística é neutra, isenta, imparcial e é mercado. Nenhum turista decide para onde viajar olhando o viés ideológico ou partidário dos governantes de plantão. Esquerda ou direita não são quadrantes determinantes quando o assunto é turismo. Até em regimes comunistas severos, o turismo pode ser uma alavanca a serviço de oportunidades sociais. Um dos setores priorizados pelo ditador cubano Fidel Castro, após os embargos econômicos impostos ao país pelos EUA, foi o turismo. O comandante escancarou a ilha caribenha para investidores e bandeiras hoteleiras europeias, apoiando em tudo e dando praias paradisíacas para a instalação de resorts de alto padrão. Basta uma visita à Península de Varadero para se ter a noção de como o democrático turismo foi manejado por uma ditadura para atenuar os efeitos deletérios da falta de liberdade sobre uma sociedade.
Na hierarquia das prioridades de quem viaja para passear estão a segurança do destino, sua infraestrutura turística, seus atrativos naturais e culturais, a qualidade dos seus meios de hospedagem, o preço total para adquiri-lo e as vivências e experiências que podem oferecer. Não há período anual mais importante que o das férias, fato que leva as famílias a programar com muito zelo onde vão descansar e se divertir, após um ano inteiro de intenso trabalho.
Quando a viagem é motivada por compromissos laborais, corporativos ou negociais, essa mesma hierarquia se aplica, associada a outra vital que é o ambiente de negócios acolhedor para o investimento. Será que posso investir de forma segura, correndo apenas o risco do negócio, que já é intrinsecamente elevado?
Sendo assim, a economia do turismo poderá alavancar muito os indicadores sociais, caso a agenda de trabalho de quem está no poder favoreça uma gestão técnica e focada em entregas objetivas de desempenho do setor. Quando o setor público negligencia esses componentes, o setor privado, que chamamos de trade turístico, padece, desempregando e fechando suas portas. Sem turistas, do pequeno ao grande comerciante, todos sofrem.
Cobrar, neste período de campanha eleitoral, compromissos firmes dos candidatos de profissionalização da gestão pública da pasta, blindando-a de partidarismos nocivos à performance e gestões dominadas pelos espíritos da politicagem, é tarefa de todos do trade turístico independente. Aquela maioria de atores, da cadeia econômica, dependentes do espetáculo, mas cujas vozes não são mais escutadas diante da gritaria pouco meritocrática que tomou conta do debate.
No caso específico do destino turístico Ceará e sua capital Fortaleza, resta claro, como o sol da Terra da Luz, seu ocaso, não por inferências, mas pelos números que vêm falando cada vez mais alto nos últimos anos. Não apenas pelas pesquisas mensais de serviços do IBGE, que apontam para o Ceará como sendo a maior queda dentre os estados brasileiros, mas principalmente no painel completo dos agregados turísticos. Fortaleza, e demais destinos turísticos cearenses, outrora protagonistas da preferência nacional e internacional, amargam hoje números preocupantes, que só servem para provar a infelicidade contumaz da agenda e da gestão pública do segmento.
Mais uma vez, como a cada quatro anos, retoma-se o debate sobre os rumos do Estado e sobre as fórmulas de aceleração do progresso social atrelado ao desenvolvimento econômico. Enquanto muitos falam de reindustrialização para a geração de empregos e renda, insumos da taxa de cidadania, poucos falam na força motriz do turismo como atalho às metas de inclusão social. Enquanto muitos sentem o vento e veem o sol como insumos de energia limpa, contudo de baixo impacto-benefício social, poucos os enxergam como vetores de postos de trabalho aplicados na veia do povo pela enorme seringa do turismo.
Portanto, as eleições criam uma ambiência toda especial para aprofundar o debate sobre o atual surrado modelo de desenvolvimento econômico do Ceará, o qual empurrou nosso Estado para uma posição vexatória no ranking da riqueza nacional, completamente incompatível com nossas potencialidades e vocações diante da enorme bacia petrolífera cearense, ainda não explorada. Não se trata de óleo, o nosso petróleo é o turismo!



Respostas de 5
Excelente amigo! Seus artigos sobre o tema conjugados com a sua expertise já comprovada em secretarias de turismo, são merecedores da atenção de governantes e dos empreendedores da área.
Além de agronomia, cursei administração e turismo. Me ajudam a reconhecer o seu saber. Abs
Muito bom meu guru
A Industria do Tirismo é um segmento que além de ter o papel inclusivo yem seus aspectos nas áreas da Engenharia Econômica Finanveira sem esquecer uma peça essencial que é o Marketing.
No Ceara, essa indústria está sempre gueixa por políticos que nada têm experiência nessas areas. Então os péssimos resultados ja não são aparentes sobretudo nos aspectos da ciência da Estatística .
Falou a voz da experiência, esse artigo foi muito oportuno para o momento. No tempo em que Alan Aguiar foi Secretário de Turismo do Estado do Ceará, a gente voou alto no setor.
Meu amigo Alan.
Concordo totalmente com seu artigo, o que se faz necessário não é a elaboração de mais um Plano de Desenvolvimento para o Turismo do Estado do Ceará, mas sim a vontade de fazer e vender as nossas maravilhas e não o que fazem, esconder as mazelas da falta de infraestrutura e de segurança pública.
Como se pode deixar tanta oportunidade passar pela porta do nosso Estado como aquele ditado do cavalo passando na sua porta e ninguém o monta.
É preciso deixar de lado a mediocridade dos pensamentos de esquerda e dos de direita pois como você mesmo diz no artigo” não se faz turismo com políticas partidárias mas sim com o conhecimento do que somos e do que temos para apresentar aos nossos visitantes que nos a cada anos estamos perdendo.
É preciso coragem para enfrentar o que está aí posto, é necessário se intensificar a segurança pública pois sem ela o turista se afasta, outro fator é a falta de preparo dos nossos profissionais do turismo e da falta dos últimos 10 anos da mesmice dos últimos 16 anosonde se tratou o turismo com desdém, o que ficou de bom para trás foi a época de um Tasso, um Ciro e um Lúcio que fizeram acontecer, mas que a incompetência dos governos que se seguiram acabaram com tudo.