TRADE TURÍSTICO: “DEIXA COMO TÁ, PODE É PIORAR”.

TRADE TURÍSTICO: “DEIXA COMO TÁ, PODE É PIORAR”.

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​Trade turístico é um termo utilizado para denominar a união dos elos da mais extensa cadeia produtiva cearense, representada pela economia do Turismo. Ninguém ainda conseguiu cravar o número exato dos elos dessa corrente, em face da dificuldade de segregar com precisão os montantes faturados para residentes e não residentes (turistas).


​Alguns afirmam que os não residentes impactam positivamente as receitas de 54 setores da economia; outros, que esse número é muito modesto se considerarmos o efeito multiplicador da receita turística. Desde os pequenos produtores e vendedores de coco, os pescadores, bugueiros, artistas, artesãos, ambulantes, pipoqueiros, bares e restaurantes, barracas de praia e indo até os operadores receptivos, meios de hospedagem, mercado imobiliário, companhias aéreas e parques temáticos, todos possuem forte dependência do consumidor não residente (turistas). Até mesmo o setor têxtil e de confecções depende muito dos turistas.


​Sabemos que o nível de consciência dessas pessoas simples, da enorme base dessa pirâmide, vem aumentando de forma acelerada quanto à eficácia das políticas públicas e à qualidade da gestão do governo, seja estadual ou municipal, no que tange ao Turismo. É fácil tirar a temperatura do nível de satisfação de muitos desses elos com seus governantes. Uma simples conversa com permissionários da Beira-Mar de Fortaleza, com os comerciantes do Mercado Central ou os garçons das barracas da Praia do Futuro vai revelar o tamanho da infelicidade com a gestão pública do turismo em Fortaleza nos últimos anos.

Basta também examinar os indicadores (agregados) turísticos, como fluxos aéreos, marítimos e rodoviários, investimentos, tarifário e taxa média de ocupação da rede hoteleira de Fortaleza, onde temos um tsunami de fechamento de hotéis na orla. Até os dados do IBGE vêm apontando o tamanho do naufrágio do turismo cearense que, ano a ano, vem cavando o fundo desse poço. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o mergulho foi de 13,4%, o pior resultado dentre as unidades da federação pesquisadas.


​O turismo cearense derreteu se compararmos nossos números com os de outros Estados da região. O aeroporto de Recife caminha para movimentar quase o dobro de passageiros em relação ao de Fortaleza. Salvador pode movimentar, este ano, dois milhões a mais de passageiros que a capital mais populosa do Nordeste. Maceió já se aproxima do nosso número e João Pessoa é a nova pérola da coroa do turismo no Nordeste.


​Óbvio, a resposta dada a esse caos gestorial vem crescendo no apertar de teclas nas urnas das últimas eleições, chegando em 2024 ao seu efeito mais drástico, resultando na demissão do então titular do Paço Municipal.


​Chegamos novamente a mais uma eleição e os candidatos começam a usinar ideias e elaborar programas e propostas para o turismo, segurança pública, saúde, educação, etc. Contudo, todos os que estudam e militam sob o sol do turismo cearense estão fartos de saber que o segredo está na gestão e na agenda, e não na formulação de políticas públicas e no velho discurso de que “vamos colocar o turismo nos trilhos” ou “o turismo é a nossa mais clara vocação econômica”.


​O que o trade turístico almeja há décadas é que a gestão seja técnica, mercadológica, negocial e institucional, e não somente política, eleitoral e partidária. Entregar secretarias de cunho técnico, como SETUR, SDE, SEFAZ, etc., a um dono de partido e deixá-lo em sua agenda pessoal pirotécnica de autopromoção é o caminho para se perder essa montanha de votos daqueles que sustentam suas famílias faturando para os não residentes, os turistas.
​Depois de eleição vem gestão, e essa é a hora de o trade turístico se posicionar e pleitear uma mudança completa de rumos, afastando todos aqueles que, assessorando governador ou prefeito, não produziram absolutamente nada e só entregaram atraso, perda de competitividade do destino turístico, demolição de hotéis, fechamento de bares, restaurantes e receptivos, falência da Monsenhor Tabosa e fuga de investidores.

Também é a hora de os candidatos inovarem, modernizarem e aprofundarem a compreensão de que cabe ao setor público liderar esse movimento, conversar com o trade “chão de fábrica” e reconstruir a emulação com o setor privado — afinal, governo algum tem hotéis, agências de viagens, receptivos ou Cia. Aérea, muito menos vende coco, castanha ou rede na beira-mar desses 573 quilômetros de praias do Ceará. Basta dizer que será selecionado no mercado um profissional que entenda da estruturação de produtos e destinos turísticos, gestão pública e privada do setor, técnico, ético e disposto a trabalhar muito para tirar o Ceará do atoleiro em que essas últimas gestões nos meteram.


​Sendo assim, diante do raso debate oferecido em seu plano de governo para o setor, muitos já estão a jogar a toalha e a invocar a máxima tiriricana segundo a qual “pior que está não fica”. “Deixa como está mesmo. Pode é piorar ainda mais, como aconteceu com o destino turístico Fortaleza à época deles”. Intramuros, os elos dessa corrente começam a jogar a toalha quanto à possibilidade de essas próximas eleições trazerem algo de novo na gestão pública do setor. Pode ser a volta de atores que não deixaram saudade. Sendo assim, “deixa como tá, pode é piorar”.

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