GUERRA, TURISMO, LENÇOS E LÁGRIMAS

GUERRA, TURISMO, LENÇOS E LÁGRIMAS

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Qualquer guerra é algo deplorável. É sinônimo de morte no atacado. Civis inocentes e militares sendo mortos aos milhares, sob bombardeios decididos por engravatados que não sabem sequer disparar uma arma. Mandam os jovens para a morte e ficam em palácios tomando chá das cinco com reis e rainhas, seja no Kremlin ou em Mar-a-Lago. A escalada dos conflitos globais traduz uma nova ordem da geopolítica, segundo a qual os protagonistas, como os EUA, e coadjuvantes, como o Brasil, questionam seus papéis no jogo internacional.

Contudo, guerra é também um enorme negócio em que muita gente ganha bastante dinheiro, começando pela indústria bélica. Mas tem um setor, o maior da economia do planeta, que o alastrar das guerras significa prejuízos incalculáveis, sejam econômicos ou sociais. No mundo das viagens e turismo, os efeitos da insegurança que as guerras representam são devastadores. Quanto mais perto do centro do conflito, maior é o poder de destruição da atividade turística. Ninguém topa mais viajar para a Terra Santa, o maior fluxo de turismo religioso que existe. Também não é recomendável passar uns dias em Dubai, Abu Dhabi, Doha e em balneários consagrados no Oriente Médio repletos de resorts de luxo, como, por exemplo, Sharm el-Sheikh, no Egito.

Para um europeu, destinos turísticos na Ásia também ficaram mais arriscados, afinal as rotas aéreas passam perto das zonas conflagradas. Chegar a destinos de sol e praia na Ásia ficou menos atraente, além de muitas horas de voo. Quem topa conhecer a paradisíaca Phuket, na Tailândia, e ter que fazer uma escala em Dubai, mesmo refestelado nos fantásticos assentos-cazulos dos A380 da Emirates?

Mas na vida, enquanto uns choram, outros vendem lenços, e é aqui que o Nordeste do Brasil pode se posicionar como alvo das grandes cadeias hoteleiras que já estão presentes ou àquelas que ainda não descobriram a enorme vocação turística desta esquina atlântica da América do Sul. Deus nos deu os melhores insumos que um turista busca para se manter distante das guerras e de regiões conflagradas. Temos tudo: sol, praia e cultura. A propósito, nossas praias são absurdamente lindas e selvagens e não ficam atrás em nada daquelas do Oriente. Destaque-se que a chance de o Brasil se meter em guerras é quase nenhuma. Não temos bala para essas aventuras, literalmente.

Ainda dispomos de um mercado interno emissor de fluxos de brasileiros que também contribui muito para a melhoria das taxas de ocupação dos hotéis, com nossos duzentos e dez milhões de habitantes. Temos ainda um dos menores preços do metro quadrado de terrenos praianos ao longo dos quase quatro mil quilômetros de litoral nordestino. Nossa infraestrutura rodoviária, portuária e aeroportuária vem se desenvolvendo de forma robusta no passo do aumento da demanda turística. Outra grande relevância é nossa proximidade com a Europa e os EUA, comparativamente a destinos asiáticos. Em sete ou oito horas de voo, estamos em aeroportos hubs da Europa, como Lisboa, Madrid e Paris, sem chances de um míssil terra-ar atingir nossos turistas, como aconteceu com o Malaysia Airlines ao sobrevoar o leste ucraniano.

Neste contexto de mundo em conflito, cujo epicentro é no quintal da Europa,  caberá ao ocidente vender os lenços que a indústria do turismo internacional precisa para enxugar as lágrimas dos prejuízos que tanto aborrecem os investidores. Não é a toa que os anúncios de novos voos e companhias aéreas ligando capitais deste lado do Atlântico ao velho continente não param de acontecer.

Respostas de 4

  1. Lindo texto redigido por quem é um EXPERT, do setor Turístico. Quisera nós ter um secretário de turismo antenado com este setor.

  2. São as oportunidades que poucos percebem.
    Temos só que lamentar a incompetência e insensibilidade desse governo petista que não possui gente competente para ter essa sensibilidade e visão para vislumbrar e aproveitar essa situações tão comum nos dias de hoje, onde esses momentos de disputa de poder está abrindo novos horizontes para um turismo diferente.
    Fortaleza possui tantas mazelas que seria necessário corrigi-las primeiro como infraestrutura e segurança para receber e atender esse turismo reprimido pelas guerras.
    É preciso aproveitas esses horizontes de oportunidades.

  3. São as oportunidades que poucos percebem.
    Temos só que lamentar a incompetência e insensibilidade desse governo petista que não possui gente competente para ter essa sensibilidade e visão para vislumbrar e aproveitar essa situações tão comum nos dias de hoje, onde esses momentos de disputa de poder está abrindo novos horizontes para um turismo diferente.
    Fortaleza possui tantas mazelas que seria necessário corrigi-las primeiro como infraestrutura e segurança para receber e atender esse turismo reprimido pelas guerras.
    É preciso aproveitas esses horizontes de oportunidades. Bela abordagem e visão!

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