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O AVIADOR

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Air France com novo voo para Caiena e a AZUL-Conecta colocando e tirando voos regionais para Crateús, Sobral, Juazeiro, etc. A IBÉRIA vem ou não vem? A TAP amplia ou não seus voos? A KLM, a COPA, FINNAIR, MARTINAIR, TACV, etc. foram para não mais voltar. Governo anuncia e desanuncia, impotente, apesar dos subsídios ao combustível dos aviões, a gangorra da GOL e LATAM em seus voos internacionais e nacionais.

Essa narrativa maçante domina o noticiário sobre o sofrível turismo cearense. Foi quando alguém do Consórcio nordeste, união “estratégica” dos Estados da região, questionou se não seria melhor criar uma estatal para o setor aéreo, tipo NORDESTE AIRLINES (NO-AIR), para acabar de vez com essa angústia toda e resolver definitivamente a questão das conexões aéreas intra e extra-regional.

Pois bem, pasmem, no passado o Ceará tinha sua própria companhia aérea, privada e made in Ceará, de um aviador cearense chamado Comandante Ariston Pessoa de Araújo. Tivesse o governo do estado alguma visão estratégica de desenvolvimento econômico, teria apoiado a TAF — Transportes Aéreos Fortaleza nesse complexo e desafiador mercado da aviação comercial no Brasil. Desde o início deste século, o Comandante Ariston, que já partiu, lutava com seus voos internacionais para Caiena e Paramaribo, além de seus voos regionais para diversas cidades do interior cearense, piauiense e pernambucano. Largado à sua própria sorte, tentou rentabilizar seus voos, inclusive os que ligavam diariamente quase todas as capitais do Norte e Nordeste, diante da fúria das gigantes nacionais que trataram logo de asfixiar o caixa da TAF com práticas claras de dumping.

Criar estatais é, desde sempre, a tentação do setor público para oferecer serviços pouco atrativos ao capital privado. Foi assim quando estatizou o gás, com a CEGÁS, o porto, com a CIPP S/A do PECÉM, a água e esgoto, com a CAGECE, a energia, com a então COELCE e até serviços financeiros com o falecido BEC. Também utilizando a ADECE o governo do estado incinerou nosso dinheiro, entrando com participação societária até em fábricas de automóveis falidas. Até no âmbito municipal, em Fortaleza, cabe a uma estatal a gestão dos transportes urbanos, através da ETUFOR. Os cearenses sustentam um cipoal de estatais deficitárias, a maioria são cabides de empregos. Mas, para um setor estratégico como os transportes aéreos, ou seja, infraestrutura na veia e vital para conectar uma terra distante de tudo e de todos, o governo do estado não move uma palha.

Sendo assim, não é de toda uma maluquice a ideia do governo do estado, associado ou não a outros da região, fomentar a criação de uma empresa privada, com um desenho societário moderno, voltado a essa função. Sucedendo à TAF, seria a TAN — Transportes Aéreos do Nordeste, arrendando 5 Airbus A330, 08 Embraer 195, 10 ATR 75 e 10 monomotores Grand Caravan. Com gestão radicalmente profissional, sem indicações políticas/partidárias, seria impossível essa empresa não se equilibrar financeiramente com suas próprias pernas. Bastava trocar dois ou três dos atuais mamutes estatais existentes pela TAN-AIR que sequer haveria impactos relevantes no orçamento público. Mas isso requer muito arrojo, blindagem e determinação política. Saudades do Comandante Ariston que, sem apoios, sem dinheiro e com minguados contratos para voos fretados, quase consegue fazer da TAF uma aérea regional de porte.

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Allan aguiar

Respostas de 2

  1. A TAF foi mais uma empresa que como muitas foi negado pelo nosso governo local ou a nível nacional a oportunidade de se manter viva. O grande problema é que cada governo tem seus interesses e só olham para os mesmos, nem que isso leve a fechar empresas que poderiam fazer a diferença. São empresas, mãos de obra e famílias que são atingidas e todos esses pilares colaboram para o cenário negativo que enfrentamos.

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