Não é que o futebol cearense está de luto. O simbolismo da queda do Ceará e do Fortaleza vai muito além e mexe com nossa autoestima enquanto povo. Sofremos um novo e duro golpe e ser cearense não vem sendo tarefa fácil para ninguém que ama esta terra. Dos quatro rebaixados, três são do Nordeste. Isso não é uma coincidência, mas sim um link que sempre nos remete ao nosso crônico atraso.
Na maior paixão nacional, estávamos no topo. Éramos um Estado de primeira divisão. Nossos dois maiores times estavam na elite do campeonato brasileiro e isso nos enchia de orgulho e fazia com que os demais brasileiros nos olhassem com certo respeito, quando o assunto era futebol. Nossas torcidas revelaram, pelos públicos apresentados e pelas festas organizadas no Castelão, que sempre foram de série A. Nos jogos internacionais do Laion, fizemos coisas fantásticas nos estádios, que nem clubes do rico sul e sudeste conseguiram fazer.
Se na segurança pública, saúde, educação, gestão pública, renda média e em muitos outros índices de cidadania não somos exemplo para ninguém, no futebol era bem diferente. Nossas camisas impunham respeito e admiração. Mas os verbos “ser” e “impor” agora estão no passado, no pretérito imperfeito. Agora foi a vez de afundarem nosso futebol no mar de mediocridade sistêmica que hoje abala o Estado do Ceará. Os cartolas do futebol, quase todos ligados à política partidária, tiraram do povão seu principal circo: ir ao estádio torcer para nossos times ganharem dos grandões. Se já não tínhamos pão, agora não temos mais circo, cujo picadeiro era o Castelão. O povão que sofre com os indicadores sociais e econômicos do Estado do Ceará, deploráveis, vai ter que encontrar outra válvula de escape para exercitar sua autoestima.
Afinal, o que sobrou neste Estado para nos orgulhar, além do nosso próprio povo e da beleza da nossa natureza, existentes nas praias, serras e sertão? Graças a Deus que temos Ele, que nos deu uma terra maravilhosa e de povo bom, acolhedor e trabalhador.
Agora, sem o ópio em forma de bola, nos resta aguardar o ópio em forma de voto, para torcer, vender e votar nesse ou naquele que nos prometer mais ópio ainda. Até lá, Natal, Ano Novo e Carnaval, bancados pelo erário que abastece os Bolsa Famílias da vida e os governos incompetentes. Mas, como disse Marx, o ópio dos comunistas, “o ser humano se ilude ao inventar um mundo imaginário para redimir a miséria da vida”.



Respostas de 2
Graças a Deus que temos Ele..
“Ele”, maiusculo.
De fato! Correção feita. Obrigado!!