Após 13 anos de enormes danos ao orçamento público, à sociedade cearense e sem qualquer utilidade pública para a economia do litoral leste, coube às boas regras do Programa AmpliAR, do governo federal, induzir a assunção do aeroporto fantasma de Aracati por uma mega gestora aeroportuária. No caso, o GRU Airport, da gigante INVEPAR, que, de olho nos benefícios financeiros do referido programa para sua principal outorga, no caso o aeroporto de São Paulo, apresentou um lance no leilão acontecido na Bolsa B3. A notícia alvissareira para os cearenses é que, em tese, é para cessar a sangria de dinheiro público para manter o mamute e caberá agora ao setor privado reescrever o plano de negócios do equipamento e tentar equilibrar receitas e despesas.
No caso do aeroporto de Jericoacoara, coube à nossa conhecida FRAPORT oferecer o lance vencedor do certame e gozar dos mesmos benefícios do programa, proporcionalmente. Basicamente, uma redução das contrapartidas das suas atuais outorgas e dilatação dos prazos delas. Contudo, pela força do destino turístico Jeri, é plausível admitir que a FRAPORT possui chances bem maiores de viabilizar o equilíbrio econômico e operacional de sua nova concessão aeroportuária, que leva o nome do Comandante Ariston Pessoa de Araújo. Cabe um registro de que esse terminal foi inspirado no aeroporto de Punta Cana, na República Dominicana, por ocasião das visitas técnicas que gestores estaduais fizeram à época àquele país.
Quanto ao plano de investimentos inerentes aos contratos de concessão dos dois aeroportos e seu cronograma, serão executados ao longo dos próximos anos na esperança de que o protagonista maior de qualquer sítio aeroportuário, os aviões pousando e decolando, se apresente na paisagem aérea desses dois polos turísticos, os quais passam por terríveis ameaças de declínio completo de suas capacidades de gerar fluxos turísticos na quantidade que justifique voos na intensidade mínima do retorno desses investimentos.
Será uma tarefa hercúlea, nomeadamente da GRU Airport, convencer as Cias. Aéreas a voarem para o atual deserto aéreo do Aracati/Canoa Quebrada, que já quebrou alguns anos atrás. Talvez o Fortim hoje já tenha uma relevância turística de oferta hoteleira, atratividade e qualidade bem superiores à da surrada e abandonada Canoa Quebrada. Mas isso é outro assunto, super relevante, da agenda de trabalho das novas responsáveis pela administração do negócio aéreo. Elas sabem que, sem uma profunda reestruturação dos destinos turísticos do litoral leste e um novo arranjo da cadeia produtiva do segmento, será muito difícil fazer decolar seus projetos e garantir a presença do insumo básico de qualquer aeródromo: aviões no pátio. Caso contrário, terão que modelar um novo negócio, basicamente de cunho imobiliário, capaz de arrancar algum dinheiro para suprir o caixa deficitário que sempre esteve a tingir de vermelho os números do balanço desse aeroporto.


